Boteco de idéias


Coréia do Norte e bomba atômica

Compreensível a reação das potências mundiais e a preocupação de toda a opinião pública diante do teste nuclear realizado pela Coréia do Norte. Porém, é válido ressaltar a hipocrisia a que chegam muitos desses países – sobretudo os Estados Unidos - quando combatem a proliferação das armas atômicas dos outros, enquanto que permanecem com seus arsenais para eventuais problemas. Dois pesos e duas medidas. A posição de arrogância e prepotência do governo Bush conduziu a mais esta situação. No governo Clinton, ocorreu o avanço das negociações com Pyogiang, afastando o risco da guerra. A quantidade de plutônio, matéria-prima utilizada para a fabricação de bombas nucleares, obtida pela Coréia do Norte durante a administração Clinton foi zero. Após a desastrosa declaração de Bush, que inclui entre o “eixo do mal” a Coréia do Norte, as relações outrora calmas transformaram-se para pior. Durante o governo Bush, Pyogiang produziu plutônio suficiente para a fabricação de oito bombas nucleares.

Ontem, os Estados Unidos apresentaram um projeto ao Conselho de Segurança da ONU de uma resolução contra a Coréia do Norte, mas não obtiveram o apoio da China e da Rússia, visto que o documento deixa em aberto a possibilidade do uso da força para o cumprimento da resolução. Mais uma vez o espírito bélico de Bush e sua turma colocam o mundo frente à eclosão de mais um conflito.



Escrito por Perlatto às 10h22
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Debate presidencial

O debate ocorrido ontem na TV Bandeirantes evidenciou com clareza de que forma ocorrerá o embate entre os dois candidatos à presidência no segundo turno. O confronto foi marcado sobretudo pela troca de acusações, embora em alguns momentos ambos tenham tido oportunidade de falar acerca de suas realizações e de seus programas. O formato do debate foi interessante, embora considere que o número de perguntas deveria ser reduzido e o tempo das falas ampliado, visto o tempo restrito para os candidatos exporem suas idéias. A condução do debate foi imparcial, embora as perguntas dirigidas no final pelos jornalistas da TV Bandeirantes tenham sido tendenciosas, visando facilitar as respostas do candidato tucano.

Alckmin começou melhor o debate. Estava com o texto bem decorado, mais tranqüilo e partiu para o ataque logo no início. Pode ter se beneficiado, na medida em que a maior audiência ocorre no começo do debate. Lula, por sua vez, pareceu a princípio nervoso e sua leitura das perguntas evidenciava uma certa insegurança. Acertou ao colocar os tucanos na roda do dossiê, citando Barjas Negri (“O senhor sabia ou não sabia das negociações escusas do Barjas Negri quando o convidou para ser seu secretário de Habitação?”), mas equivocou-se ao persistir neste assunto no primeiro bloco. Fez bem ao evidenciar que as falcatruas das ambulâncias e dos vampiros iniciaram-se no governo tucano, mas deveria ter explorado melhor algumas temáticas, como o engavetamento de mais de 60 CPIs no governo tucano de São Paulo, bem como os escândalos das privatizações e da compra de votos na era FHC. Já no segundo e terceiro blocos, quando partiu para o debate de propostas para o país, Lula mostrou-se seguro e deu um banho em Geraldo Alckmin, que ficou nervoso e passou a apelar. Lula confrontou muito bem os dois projetos que estão em combate nessa eleição: de um lado o tucano-peefelista, cujo lema é: privatizar, privatizar e do outro o petista, cujo lema é: social, social. Disse uma frase correta e de impacto: “A única coisa que eles (tucanos) sabem fazer é cortar gastos com aquilo que não se pode cortar, que é o salário do trabalhador”.

Lula se saiu bem ao responder sobre as investigações do dossiê: “Eu não sou policial. Sou presidente. Possivelmente o governador está com saudade do tempo de tortura”.

Os pontos altos de Lula no debate foram quando comparou os seus quatro anos de governo e os oito de FHC e na fala sobre política externa. Fez muito bem ao perguntar sobre a ausência de FHC, questionando se os tucanos tinham vergonha do presidente. Também se saiu bem, ao dizer que os tucanos pensavam como se estivéssemos na guerra fria e que, portanto, deveríamos guerrear contra os países fracos. Comparou, inclusive, a postura do tucano com o comportamento imperialista de Bush que conduziu ao fiasco do Iraque.

Alckmin demonstrou destempero e hipocrisia, ao dizer que nada houve de errado no processo das privatizações ou que iria vender o “Aerolula” para construir cinco hospitais. Lula definiu muito bem o comportamento do tucano: “O governador, nas suas bravatas, fala com uma seriedade que parece que ele está numa sacristia. Com essa seriedade toda, porque não deu jeito na Febem?”.

No saldo geral, Lula saiu-se melhor do que Alckmin. Lula deve insistir sempre nas diferenças existentes entre o projeto privatizante dos tucanos e o projeto petista de inclusão social. Deve bater na tecla da oposição entre o projeto imperialista - com os países mais fracos – e subordinado – com as grandes potências - dos tucanos e o projeto de diálogo com as nações mais pobres e de soberania nacional. Com este enfoque e com os contrastes bem definidos, não há argumento tucano que resista.



Escrito por Perlatto às 11h28
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